Os rituais em sebos, feiras e sites de venda:
Nas dobras silenciosas da Ordem, algo inquieta. Quando um Irmão parte sem orientar o destino de seus rituais, o que era chama vira brasa exposta ao vento. O saber, antes guardado com reverência, perde o rumo e se dispersa como poeira antiga. Em sebos, feiras livres e sites na internet, livros que carregaram votos, gestos e memórias acabam nas mãos de quem não conhece seu peso. Viúvas, deixadas sem instrução, tentam adivinhar o que fazer; filhos, alheios ao simbolismo, tratam o sagrado como objeto comum. Assim, o legado se desfaz não por maldade, mas por descuido.
É nesse abandono que o tempo age com crueldade. O que deveria permanecer como herança viva transforma-se em mercadoria, empilhada em prateleiras que não conhecem o valor do que guardam. A Ordem, silenciosa, observa seu próprio eco se perder.
Talvez o chamado seja este: lembrar que o ritual não pertence ao indivíduo, mas à corrente que o sustenta. Cada Irmão, ao pressentir o fim, deveria preparar o caminho para que a chama siga adiante. Porque tradição não vive sozinha; precisa de mãos atentas, de consciência desperta, de responsabilidade compartilhada. Só assim o que é sagrado permanece vivo no tempo.
Carlos Santarem
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